segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

5º Aniversário do blog Zambeziana


 
Não há nada como um aniversário para assumir de novo um sonho: o meu BLOG!
 
Por vezes é preciso deixar o caminho para realizar sonhos mais antigos que só esperavam o momento certo para saírem da gaveta. Terminei o meu livro, agora o trabalho é com a editora.
Foi esta a razão da minha ausência. Dentro de mim debatiam-se mil coisas, mil desejos… Mas, na vida, há sempre que fazer opções: não poderia matar a semente que havia em mim, há tanto tempo guardada, desejosa de ser flor! Missão cumprida!
 
Neste Quinto Aniversário do Blogue ZAMBEZIANA quero dizer-vos que nunca vos esqueci. Por vezes, vinha “espreitar” o que escreviam e deliciava-me. Mas o tempo, esse tempo que agora me parece mais diminuto, não me deixava margens para vos comentar. É que a realização está mais perto do desejo do que da realidade. Mais na possibilidade do que na posse.


A montanha ficava, por momentos, só, perfilada ao longe… mas nunca ESQUECIDA!
 
Fui feliz convosco e, se calhar, nem me apercebi do tanto que recebi de todos. Quando somos felizes, acontece nem darmos por isso… Afinal, a felicidade é feita de pequenas coisas e são essas que enchem o nosso contentamento.
 
Não seria justo festejar este aniversário sem a vossa presença… Estar aqui há cinco anos foi possível graças aos Amigos que estão comigo quase desde o primeiro momento.
 
OBRIGADA a todos do fundo do meu coração.


Quero continuar a deitar à terra a semente que me foi dada e no caminho que escolhi percorrer. A felicidade chega depois: na certeza de que o possível está a ser construído passo a passo.
Sei que palavras vivas, cheias de cor, voltarão a ser escritas aqui vagarosamente… como um rio que corre para a sua foz.
 
A Palhota terá sempre as suas portas abertas para acolher Amigos, mensagens estimulantes que nos levem todos a recuperar rumos!
 
Somos as nossas decisões!

Que Deus vos abençoe!

sábado, 7 de setembro de 2013

Ser Viúva


Esta é uma "vocação" pela qual nunca nenhuma mulher optou.
Ao sair da igreja com a alma em festa e a mão poisada no braço do companheiro que escolheu para trilhar uma estrada a dois, pensa que será para sempre. Nada poderá interromper este sonho de felicidade. Poderá acontecer a outras, mas não a ela! Juraria que ele é imortal... e depois tão saudável.
Afinal a sua vocação foi sempre o caminho do matrimónio. Esta sim era, e é, uma vocação, agora a viuvez? Nunca ouvira tal, mas há quem lhe chame assim... E há movimentos a lembrar este estado que ela quer esquecer. E serão bem vindos se não falarem nesta "vocação" como se fosse um estigma ou uma maldição. São umas coitadinhas! São precisos grupo mistos que apoiem estas mulheres que ficaram sós mas que continuam a ter vocação de esposas. "Não separe o homem aquilo que Deus uniu" (Mt. 19,6). Eles partiram, mas estão apenas ausentes, assim lhes diz a sua fé. E estas mulheres continuam a ser mulheres, mães, profissionais e esposas.

 
Mas a sociedade não entende assim e marginaliza a mulher viúva. Desde o Antigo Testamento, embora Jesus, o Mestre, e os seus apóstolos tenham enaltecido sempre esta figura quase patética (Lc. 7,13; Mc. 12,42-44; I Tim. 5/3,5).
Muitas ficam totalmente sós, desprotegidas e abandonadas, sem apoio social ou económico. Algumas até sem um único ente familiar. É evidente que, durante séculos e séculos, esta situação passou a ser vista de uma maneira mais positiva. Mas não se animem os otimistas, nem tudo foi relevado.
No Antigo Testamento a mulher viúva era conotada como rasteiro (Zac. 7,10), em suma, uma deserdada da sorte (Lev. 22,13).
Ainda no Antigo Testamento a mulher viúva tinha três hipóteses de caminho a seguir. Podia voltar a casar se tivesse um bom dote; podia trabalhar para ganhar o seu sustento; ou podia voltar para a casa dos pais.


Hoje, com a emancipação da mulher, e o seu novo lugar conquistado na sociedade é quase sempre a segunda hipótese a mais seguida. Mas, a nível de Estado, e não só, a viúva continua como antigamente, desprotegida.
A pensão de viuvez é muito menos de metade do vencimento base do seu cônjuge. Havendo filhos menores a estudar de que modo pode ela fazer face a uma situação em que se encontra já penalizada emocionalmente?
E a nível da Igreja, do espírito cristão, como são acolhidas as mulheres de "vocação" não escolhida e muito menos compreendida e apoiada?
É um estudo feito por uma mulher que ficou só, que é posto aqui como desafio a toda a sociedade, ao Estado e à Igreja.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Férias

O mar tinha duas tonalidades – tal como a vida! Uma, de um azul cinzento carregado e outra num verde luminoso como a esperança. As ondas bordadas de branco alteavam-se numa força vitalizadora para depois se espraiarem na areia doirada, preguiçosa e sonhadoramente.


Sempre gostei de contemplar este mar que me diz muito. Fala-me de coisas que eu até já havia esquecido e a sua cadência lembra-me que, a toda a hora é preciso recomeçar...
Mas estou de férias! Será que até em férias é preciso recomeçar? Claro, como o mar. As horas encadeiam-se e desfazem-se, para logo se formar a seguinte – como as ondas do mar. O ciclo da vida não pára só porque estamos de férias e na vida, nada se perde, como as ondas do mar... Formam-se as ondas, desfazem-se as ondas mas a água permanece sempre a mesma, anos vêem, anos vão, mas a vida que se viveu não se perde, nem se some – fica em nós.


As férias passarão mas virão outras... cadenciadas como o mar. E tantas recordações que ficaram. Horas felizes, experiências, lições, beijos trocados e sonhos, tantos sonhos arquitectados. Seja como for, é vida vivida que faz parte de mim própria.
É por isso que gosto do mar. Compromete-me a estar comigo própria e em cada salpico de água, mesmo na crista da onda, lá vêem as recordações todas, as horas feitas e desfeitas, as descobertas, os fracassos e as ilusões.



É tempo de pensar, tomar decisões... para recomeçar! De novo, como as ondas do mar, num ciclo azul cinzento das horas difíceis e noutro, verde esperança das horas alegres e partilhadas.
Férias que se sucedem – vida que permanece... como as ondas do mar.

terça-feira, 28 de maio de 2013

O Meu Jardim


Se há alguns anos atrás me dissessem que jardinar seria uma das minhas paixões, não acreditaria! Ainda bem que mudamos. É no meu jardim que eu reúno momentos tão dispersos da minha vida. Gosto dos apelos no seu silêncio. Enquanto corto a sebe a minha alma está aberta a todas as emoções.

Está um dia de sol aberto, maravilhoso. Todos se queixam: está calor! Eu respiro feliz: que delícia! Gosto do sol a morder-me na pele. As cores espalhadas pelo verde extasiam-me. Os aromas estonteiam-me e trazem-me recordações. A chilreada de centenas de passarinhos, que este ano invadiram todo o espaço exterior, é delícia para os meus ouvidos. Melhor que as partituras dos mais famosos, pelo menos mais natural.
Tesourada daqui, tesourada dali e os pensamentos são como os ventos, chegam à hora menos pensada. Como fugir deles? Não sei como fechá-los… Há um perfume de rosas (postas por ti) que reverdece as lembranças. Nesse dia tinhas aparado toda a sebe do jardim, as heras dos muros do quintal e do pátio. Foi um trabalho exaustivo, parecia-te que o mundo acabaria nesse dia e era preciso deixar tudo em ordem. Não acabou mas aproximava-se a curva da estrada. Atrás de ti ia juntando todos os ramos para ser depois mais fácil apanhá-los. Do fundo do quintal disseste-me: “Belo trabalho, miúda, belo trabalho”.




À noite, um vento gélido varreu as estrelas do céu e entrou-nos pela casa dentro. Começava a tua via-sacra. E eu, tal como Maria, acompanhava-te numa angústia, sem saber o que fazer. Mais uma vez tive a noção que a vida é a sala de espera para a eternidade. Escutara o teu canto de cisne, assistira ao teu desafio redobrado à volta da sebe, como andorinha estonteada à procura de fazer o seu ninho… Tudo eram sinais de esperança! No entanto, o teu passo acertava-se já com outros passos de um outro caminho. Partiste daí a um mês. Nem mais. Nem menos. Sempre foste rigoroso em tudo e por último não podias falhar.
É no jardim que eu sinto mais a tua presença e talvez por isso goste tanto dele e o cuide com tanto amor. Mas não há só lágrimas por cima das tuas rosas… Oiço rumores de beijos, risadas cúmplices de quem, apesar dos anos, ainda sabia namorar. A alegria de saber que no meu coração, e no teu, existia um lugar especial para nós dois.
Hoje, sem estares comigo, estás presente. Vejo-te nas flores que me rodeiam. A distância? Ela não consegue destruir aquele fio invisível que nos prende. Continuas ali, no nosso jardim… Apenas agora, quem poda a sebe sou eu.
De um lugar para onde todos nos encaminhamos, vais fiscalizando o meu trabalho e sinto no coração pequenas mensagens, como se, de facto, o nosso diálogo não tivesse ainda terminado. E o coração não me engana. Não sei dimensioná-lo, não sei descrevê-lo… mas esse lugar maravilhoso existe mesmo.




Gosto do meu jardim: nele colho sorrisos com que enfeito os meus lábios, recolho gotas de beijos e conheço novamente o gosto da felicidade. Leio e releio os livros que mais gosto. Estudo, pesquiso e, principalmente, reflicto… A Vida! Mas há mais vida? Então não é o passado todo e este presente? Não. Falta o amanhã. Nem que seja apenas um dia, mas há-de ser feliz, pleno e sem lamúrias.
Um dia, uma amiga que veio passar uns dias comigo disse-me: “Quem tem um jardim como o teu não tem o direito de estar triste”. E porque haveria eu de estar?

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Bom Dia Esperança


Não sei se alguma vez já vos aconteceu, num dado momento da vossa estrada, encontrardes uma encruzilhada com várias direcções e sentirem o desânimo cair sobre vós. 
E agora, por onde sigo? 
Os projectos que trazíamos à partida parecem não encontrar eco em ninguém. Aquela nostalgia do “ontem” que trago sempre dentro de mim e que me fez pensar neste caminho à procura de amigos, julgo que já não existe nos outros, dissipou-se com o tempo. 
A saudade não encontra espaço e o silêncio passa por tantas recordações que pus à disposição de todos, numa disponibilidade de coração aberto. 
Será que a amizade, o tempo para os amigos agoniza impiedosamente? 
Os ideais foram desmantelados, murcharam pelo sol forte de uma vida difícil e já não há possibilidade daquela unidade que era bonita de se ver e, principalmente, de se sentir. O hoje, com todas as suas vicissitudes de atropelamentos, correrias loucas de sobrevivência, desencontros, tempos sem horas, amarguras, abafou a alegria e o gosto de viver de antigamente? 
Será que já não vos conheço, amigos de outros tempos? Já não sereis os mesmos? 


Tudo isto me fez pensar e parei para me organizar. Terei também eu mudado? Perdido a fé nos outros, na vida e em mim? 
No barco da vida quem deita fora a fé, deita também fora a esperança. Costumo ser optimista mas reconheço que marquei encontro com o desânimo e hoje estou como o tempo, enfarruscado, triste e sem brilho! A moleza tomou conta de mim… mas garanto-vos que ainda não é a capitulação. A esperança há-de voltar e levar-me mais longe ainda. 
A tarefa é grande, penosa e sacrificada. Não pelo trabalho em si, mas pelas respostas que não chegam. Mas este blogue continua a ser um desafio, uma luta e, ao mesmo tempo, uma responsabilidade. 
Abri os olhos fechados por algum cansaço, limpei a face por onde escorriam as lágrimas e pus-me de pé! Caía a noite e ouvi rumores de vozes e passos cansados de gente desanimada, cansada, perdida talvez em encruzilhadas, como eu… Olhei a mochila caída a meus pés, tantos sonhos a sair de dentro dela, notas musicais de um outro tempo, de outro céu e de outro mar. A esperança sobrevive sempre que um adulto chora, disse alguém. 
A noite já vai longa mas vem aí a manhã que fará cantar de novo o meu coração. Quero abrir de novo as janelas da vida e saudar: bom dia esperança! 
Quem caminha espera e quem espera caminha. Jamais foi proibido agarrarmo-nos a um sonho para seguirmos viagem. O sonho impulsiona-nos para a vida. Amanhã, quero sorrir e sonhar, sonhar sempre. E se eles se desfolharem silenciosamente, ao menos ficarei com a esperança. Com essa flor que quero trazer sempre nos cabelos a lembrar-me que resistir é viver e desistir é morrer; farei caminho ao encontro dos outros, da alegria e da vida. As noites servem para isto: para encontrarmos, por entre as estrelas, o nosso rumo.