quinta-feira, 11 de junho de 2009

Fotos do Meu Álbum


Assim como quem deita sementes num canteiro… sem grandes explicações. O que de mais importante nos aconteceu não se explica. São desafios que vivemos, pessoas que amamos, mistérios que em nós ficaram. Momento este de partilha como faz o jardineiro, abrindo as mãos generosamente e esperando… que as flores nasçam!


Almoço de confraternização… Final de ano liceal? Encontro de estudantes universitários em férias? Aniversário de alguém presente na foto? Ou apenas vontade de conviver? Já não sei! Mas sei o nome deles todos: Orlando, Arnalda, Mário Augusto, Felicita, Jójó, Saroj, Henrique, Pilar, José Alves Pereira e Jorge Coelho.


Na boîte do Sporting em 6.8.1963. Descubram-se… A vida terá sido tão bela para todos como neste momento? Espero bem que sim!


Num outro baile e não consigo descortinar o local. Aqui eu dançava com o Jorge Coelho e, falando connosco, a Felisbela e o Vasco Ogando.


Esta é muito mais do passado, isto é, de um passado mais longínquo… Novamente o pavilhão do lado direito da Escola Vasco da Gama e que parecia destinado a festas de casamentos. Este era o da Olívia Sequeira Ribeiro. A “fazer de noiva” o Sr. Amaral “Pele e Osso” sempre rodeado de juventude. Tantas caras conhecidas: Lélé Amaral, Manuela Costa Isabel Viegas, Ermelinda Pimentel, Aurora e Nininha Gentil, Jójó, Zé Amaral, Milena Oliveira, Nôno, Elisa Viegas, Fernanda Perdiz, Victor e Fernando Xavier Martins, Sequeira Ribeiro e as filhas Céu e Manuela.


Era um domingo quente de Dezembro e fui almoçar com a família Fierens. A mãe Mafalda fez um caril como só ela sabia fazer. Depois as “flores” Graça e Juliette, posaram no jardim.


Alguns alunos do CNA (parte de trás do Colégio) com as suas Mestras e o Dr. Tiago que já não está entre nós - também outros infelizmente partiram, brilham no céu das nossas memórias.


Despedida do José Augusto no Riviera, Agosto de 1963. Da esquerda para a direita: ?, Vasco Malheiro, Mário Augusto, Jú Belo, José Augusto, Nuno, ?, Luis Pedro, e ?.

Recordem, recordem porque… recordar, é viver!


terça-feira, 9 de junho de 2009

Vem Aí o Verão


Por mim poderia ser todo o ano. Aceitaria pôr um leve agasalho pela manhã bem cedinho e depois, à noite quando chegasse o cacimbo, durante três meses e nada mais. Mas agora já fico feliz com os três meses de verão! Como tudo muda.
Os dias sucederam-se a correr na mesma vertigem que já vem de longe e já estamos a meio do ano. Gostaria de ter conciliado os meus passos com tudo o que gostaria de ter feito e que fica aquém do desejado. Os meus amigos aconselham: põe tudo na tua agenda de carteira e programa as coisas. Acho-lhes graça! Será que eles conseguem? E os imprevistos, mais que muitos, como os contornam? Claro que tenho uma agenda mas apenas para não perder o fio à meada. O que aparece cada dia é muito mais do que aquilo que estava supostamente ordenado. E entro então numa roleta louca. À noite tenho a sensação de ter vivido mais. Mas é apenas uma sensação. Quando faço o balanço descubro que o cansaço está na razão inversa do produzido. Valerá a pena andar a correr?
Que saudades do tempo cheio de tempo da minha terra! Até era usual ouvir-se: “estou a matar o tempo”. Havia tempo para enchermos as manhãs de poemas, para cantar a liturgia do trabalho, para abrir a porta do nosso coração aos amigos, para nos espreguiçarmos deliciosamente ao sol, para fazer um bolo e partilhá-lo com alegria, para ler um livro e tomar apontamentos das passagens que mais nos marcaram, para adubarmos a esperança, para namorarmos (não através de mensagens e da internet…) e para trocarmos ternuras e carinhos, fazendo-nos sentir homens e mulheres e não robots pendurados apenas por um click de um botão.
Gostaria de ficar assim a vagar com as nuvens… A observar os botõezinhos a romper, determinados, o solo molhado por estes dois dias de chuva. Assistir ao acasalamento das borboletas. Escutar a harmonia da natureza aqui tão perto. Dançar a vida à volta de um canteiro. Brincar com o meu gato e os meus cães… Mas, mas o relógio bateu doze badaladas e o almoço? E a roupa por apanhar? E a consulta de logo à tarde? E o programa desta semana que vai exigir muito de mim? Meu Deus, como estou atrasada para tudo!
Já não posso “voltar aos dias sublimes e longínquos da minha infância”. Esqueço o rumorejar dos “Bons Sinais”, a visita à velha Igreja, o lanche no Riviera e o passeio até à praia…
A minha agenda transborda pelo peso dos dias. O Verão já não é o que era e a minha vida também não. E fico-me por aqui? Não sou eu que costumo dizer aos meus amigos que a minha casa é uma Tenda? Então é porque tenho noção de que sou apenas um peregrino. E o que faz o peregrino? Cada dia, ao alvorecer, constrói o seu dia com a alegria habitual do começo das coisas. Enche o coração com tudo o que traz da lonjura dos tempos e dos caminhos e espera o lento amadurecer dos frutos. Ao fim do dia sacode o pó das sandálias e olha as estrelas que falam da sua terra e entende que a sua riqueza está no muito que viveu e no muito que foi seu caminho.

(Fotos de Nuno Machado)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Prendas - Dia Mundial do Ambiente

.


“Olha!”, disseste-me. E vi as nuvens ameaçadoras aglomerarem-se e rolarem e escurecerem e o céu a tornar-se azul e os relâmpagos prateados a rasgarem a escuridão de alto abaixo.

“Olha!”. E vi os gansos a cruzarem os céus, batendo as asas contra o ar da noite e chamando uns pelos outros conforme passavam.


“Olha!”. E vi a quietude de um lago explodir num tremeluzir de peixes caçando as migalhas que lançáramos.



“Olha!”. E vi um céu salpicado de estrelas. E o brilho da geada nas lâminas das ervas.



“Olha!”. E vi as pequenas coisas que me poderiam passar despercebidas. As vagens de pimpinela escarlate,


as perninhas frágeis como arame de um pisco sociável com o seu olhar atento,



os redemoinhos na orelha de um gatinho,


as teias de aranha ornamentadas de orvalho espalhado pela sebe, os mergulhos e rápidos voos das libelinhas, a fuga apressada dos escaravelhos, o frémito dos bigodes de um rato,


o verde nariz arrebitado de um jacinto furando através do solo.


Deste-me alimento, conforto e amor. E deste-me as estrelas.





(do livro “Mãe” de Rosanne Brown; fotos de Nuno Machado)


quinta-feira, 4 de junho de 2009

F.A.E.


“Do Chuabo Com Amor…


A FAE teve o condão de alterar radicalmente os hábitos das gentes locais… Desde que se iniciaram os trabalhos, que se foram acelerando à medida que a data da inauguração se aproximava, até depois do momento culminante da cerimónia oficial da abertura, o movimento de pessoas e automóveis atingiu limites nunca dantes vistos. Quelimane viveu e continua a viver momentos próprios das grandes urbes. Os acontecimentos sucedem-se vertiginosamente deixando atordoados os de passo mole: a inauguração, o critério automóvel, o circo Mariano que chegou na manhã da inauguração e à noite dava o seu primeiro espectáculo, o “Teatro do nosso Tempo” de Jacinto Ramos. O encontro de futebol entre a Selecção da Zambézia e a Selecção Provincial, o banquete gigante no dia da inauguração com a presença do Governador-geral, a exposição de pintura, a segunda tiragem do “NB”, posta a circular poucas horas depois da inauguração, com o suplemento diário da “Feira” que foi um sucesso, enfim, o pacato cidadão desabituado de tais velocidades é arrancado do marasmo em que vivia.
Tudo isto representa muito trabalho, um trabalho tão gigantesco como gigantesca é esta Zambézia que quis mostrar aquilo que as suas gentes serão capazes de fazer se lhes oferecerem essa oportunidade. Com raiva o Zambeziano despiu o casaco, lançou-o furioso ao chão e gritou: “Olhai senhores, do que seremos capazes se nos deixarem se não nos tolherem os movimentos com essa inútil burocracia, com esses milhentos tipos embirrentos das secretarias a impedirem-nos de andar para a frente. Senhores, soltem as amarras que nos tolhem os movimentos e vereis esta Zambézia impressionante de riqueza a dar trabalho e pão a milhares de necessitados. Mas, por favor, livrai-nos dos calaceiros, dos inúteis. Dos que nada fazem, excepto, nada deixar fazer aos outros.” (Revista da FAE, 24 de Agosto de 1969)

NOTA: Este grito é, infelizmente, ainda actual na portentosa Zambézia. A riqueza do seu solo, o manancial que deve ser explorado por todos os zambezianos, ficou lá! Os “retornados” (falo por mim e talvez por milhares) apenas trouxeram a saudade. No passado, mostrou-se a vontade de um povo de um modo grandioso.
Amigos da actual Zambézia, façam hoje quantas “FAE’s” sejam precisas mas façam-nas para que ao menos não tenham sido em vão tantos sonhos desfeitos, tantas despedidas dolorosas e tantas lágrimas dos teus filhos, zambezianos, de todas as cores.


Pavilhão da Associação Hindu da Zambézia. Muito bonito. Foi o único que não ficou pronto antes da inauguração, talvez pela riqueza e fausto pretendido para o seu interior. Sabe-se que da Índia vieram de avião centenas de “saris” para serem ali leiloados. Contudo o Governador-geral visitou-o e foi recebido pela Direcção da Associação Hindu.


Pavilhão dos Caminhos de Ferro. Simples mas muito original. Foi dos mais visitados na FAE. Ao lado, o Pavilhão do Entreposto que não deixou os seus créditos por mãos alheias.


A réplica do velhinho quiosque do Refeba, na Marginal que, entretanto, era deitado abaixo para dar lugar a uma obra nova de linhas modernas. Mas ali estava, na FAE, o pavilhão do Refeba, relíquia de tão gratas recordações e tradições para a gente da Zambézia e particularmente de Quelimane. Cumpriu a sua obrigação e algumas “borracheiras” ficaram aqui célebres. Agora, perpetua-se neste espaço a miniatura que fará recordar aos mais saudosistas, o quiosque da Marginal.


O Pavilhão do Grémio do Chá. Era realmente muito bonito. Dentro, com todo o requinte, era sempre servido a cada visitante uma saborosa e quentinha chávena de chá.


Pavilhão das Missões, onde foram expostas muitas e variadas obras de artesanato da Zambézia. Aqui, visita do Governador-geral Dr. Baltazar Rebelo de Sousa e esposa.


Pavilhão Ferreira e Faria – Vencedor do Grande Prémio do certame “pavilhão de melhor concepção e arrojo arquitectónico”.
Para o prémio de maior originalidade de concepção, classificaram-se os seguintes pavilhões: 1ºlugar- Sena Sugar; 2º- Madal e 3º- BNU. Melhor decoração: 1º lugar- BNU; 2º- Madal; 3º- Ferreira e Faria. Melhor pavilhão de Comércio: 1º lugar- Madal; 2º- Companhia da Zambézia e 3º- Companhia do Boror. Melhor pavilhão comercial: 1º lugar - Ferreira e Faria; 2º- Marropino e 3º- Sacras. O júri foi constituído pelo Engº João Chaby, Sérgio Guerra e António Sheppard da Cruz.


No pavilhão do BNU, expunha-se a maqueta do novo edifício, então, em construção.


Pavilhão da Lusalite, simples mas uma montra condigna de todos os seus produtos.


Pavilhão do NB onde se publicava diariamente o jornalzinho “A FEIRA” com duas tiragens gratuitas por dia e o povo que se pendurava em massa para levar notícias frescas para casa. Aqui também visitado pelo Governador-geral, Governador Distrital, pelo senhor Bispo, D. Francisco, e por muitas individualidades de todo o país.


Ficaram por mostrar os seguintes pavilhões: Companhia Têxtil do Pungué; Agências Mundiais; Zuid; Monteiro e Giro; União Comercial de Moçambique: Pendray Sousa; Gráfica Transmontana; Dorna Baião; Ana do Chinde; Steia; Cafum; 2M; e muitos outros de difícil enumeração. O número de visitantes ultrapassou os vinte mil nesta primeira edição da FAE.


segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dia Mundial da Criança



A Fada das Crianças




Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.



À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia –
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.



E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas…



E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas…
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.


Fernando Pessoa