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domingo, 12 de julho de 2009

Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil

(foi há um mês mas devia ser todos os dias...)


Naqueles dias
Em que o peso do dia
Parece querer esmagar

Teu corpo de criança
Feito adulto….
Naqueles dias
Em que a angústia,

A dúvida e o medo
É o pão que comes;

Naqueles dias

Em que te roubaram
A paz e a alegria
E no teu olhar só há trevas...
Nesses dias e sempre
Eu queria abraçar
Teu corpo de criança
E dizer-te que existe alguém
Capaz de te amar
Que chora contigo
No silêncio da tua vida
E que hoje pede ao mundo
Que não feche os olhos
E com todo o coração
Ajude a semear nesse campo
Onde tu deixas o teu sangue,
A flor da esperança,
Porque tu tens direito a ser

CRIANÇA!



sexta-feira, 29 de maio de 2009

Os Meus Poetas


Gosto de poesia. Daquela cujas palavras deixam perfume nas nossas mãos e, sobretudo, na nossa alma. Poesia que se entenda como as coisas simples da vida. Sem grandes adjectivos e substantivos “eruditíssimos”. Não daquela que até espremida, como um limão, não deita nada a não ser, talvez, uma gota amarga do tempo que se perdeu ao lê-la. Não gosto da poesia carregada com um bom sobretudo de marca mas que ao tirá-lo deixa à mostra uma nudez inglória ou então uma roupa de feira de muito mau gosto. Não gosto de um desfile de palavras caras, que ficam bem, a mostrar uma cultura com pouca arte. Lembra-me os quadros que não dizem ou não representam nada mas são bons pelo nome de quem os pintou. E os livros? Alguns enfadonhos, maçudos, cansativos, mas é de bom tom dizer que se leu este ou aquele autor… Gosto de poesia que fale de sentimentos, de amor, de abraços e beijos… essas lamechices que tão bem cantou Florbela Espanca. Gosto de poesia embora a minha área de expressão literária preferencial seja, sem dúvida, a prosa. Por vezes peço desculpa aos verdadeiros poetas e “alinhavo” uns versos, simples, como eu.
Sigo o blogue Moçambicanto onde há uma verdadeira montra de poetas da minha terra. Entre eles está Jorge Viegas, meu conterrâneo, amigo e antigo colega. Juntos contracenamos na peça de teatro “A Muralha” de Calvo Sotelo, juntos trabalhamos como membros activos no Centro juvenil de Quelimane, juntos dissemos poesia. O seu primeiro livro, publicado ainda em Quelimane, foi um sucesso! Os poemas que hoje escolhi são de um outro livro, editado já em Portugal, intitulado “Novelo de Chamas”.

Um beijo para ti, Jorge!


Os Que Temem

Os que temem as palavras e as policiam
Devem saber que as máscaras cairão,
Sejam elas de lata ou papelão
ou de engodos fáceis que aliciam.

Os que temem as palavras e as esvaziam
Do seu conteúdo verdadeiro e são
E nas verdades suas se extasiam,
Usem as máscaras que usarem, são

O brilho de astros que há muito esfriam,
E o espaço morto de uma revolução.



Ao Escreveres Um Poema

Ao escreveres um poema
Não dês demasiada importância às palavras.
No poema, as palavras
Não existem verdadeiramente,
Não têm existência de facto.
No poema, as palavras
Não têm consistência.
Nem são sensíveis ao tacto.
No poema, as palavras serão simplesmente
As imagens que habitam
O mais profundo do teu ser.
E o teu poema violará o espaço aéreo
No bico das pombas
E será levado
Na franja marítima das ondas.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

Em Tempo de Semana Santa


Caminha
!

Vai serenamente de fronte erguida
Como proa de um navio rasgando a onda
Do mesmo modo rasga os ventos
Mesmo que sejam contrários
Caminha!
Mas não sejas indiferente àquilo que te rodeia
Vai de olhos abertos
E faz que eles girem ao redor de ti
Pois crê que existem escolhos
E não sabes
Em que direcção os encontrarás!
humano.
Se o fores encontrarás força e confiança
E saberás captar a dos outros
Mesmo a dos indiferentes!
o exemplo subindo a montanha
Mas deixa visível a tua caminhada
Para que outros, indo atrás de ti,
Não se percam no caminho!
Que a tua vida,
Certa, laboriosa e fatigada,
Seja uma sinfonia de amor
Que apeteça ouvir cantar!...

domingo, 22 de março de 2009

O Silêncio


Quem disse que o silêncio
Não fala?

A semente, na terra,

Germina na calada da noite…

É tolice pensar que o silêncio

Não gera a vida

E tem mistério

Que não sabe revelar.

Ele é essência do fruto maduro

Que gota a gota se formou,

No escuro.

É tempo sem idade

Que nos ensina a calar.

É seiva imensa que lembra

Eternidade.

É pátria dos fortes,

Dos que não têm nada.

Basta-lhes o silêncio como fonte.

Alimentados pela solidão,

Gritam liberdade na noite vazia.

São pesados os sonhos

Dos que apenas sabem falar.

Por isso não têm

Tempo para pensar.

Falta-lhes o sorriso

Cultivado no silêncio,

Guardado como a semente,

A germinar.

Virá um dia em que o silêncio

Será flor,

Será palavra colhida com amor

Na terra arada pelo sofrimento

De tanta gente.

Infelizes são os que não entendem

Que há um momento

Em que o coração sente que os mais felizes

São os que falam

Com o pensamento.

Dizem tudo sem dizerem nada

Porque o silêncio é grande,

Quando fala.


Graça Pereira (Machado)