domingo, 12 de julho de 2009

Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil

(foi há um mês mas devia ser todos os dias...)


Naqueles dias
Em que o peso do dia
Parece querer esmagar

Teu corpo de criança
Feito adulto….
Naqueles dias
Em que a angústia,

A dúvida e o medo
É o pão que comes;

Naqueles dias

Em que te roubaram
A paz e a alegria
E no teu olhar só há trevas...
Nesses dias e sempre
Eu queria abraçar
Teu corpo de criança
E dizer-te que existe alguém
Capaz de te amar
Que chora contigo
No silêncio da tua vida
E que hoje pede ao mundo
Que não feche os olhos
E com todo o coração
Ajude a semear nesse campo
Onde tu deixas o teu sangue,
A flor da esperança,
Porque tu tens direito a ser

CRIANÇA!



sábado, 11 de julho de 2009

Rosas


Gosto de rosas! Rosas simples, dobradas ou singelas. De todas as cores já se vê. Existem inúmeras espécies de rosas, com tonalidades e estruturas diferentes. Dependem do terreno onde estão e da mão do homem que, num trabalho delicado e minucioso pode obter milhares e milhares de variedades. Mas as rosas que mais gosto são as do meu jardim! Salpicaram de todas as cores o verde da sebe e brotaram pujantes numa quantidade nunca vista por mim, no mês de Maio e agora em Junho. Gosto de todas elas mas tenho particular carinho por uma, quase negra, cujas pétalas são espessas como o veludo. Era também a preferida de alguém que já partiu. Quando à tardinha me sento no banco do meu jardim não calculam os diálogos que mantenho com ela. Cativou-me tal como a rosa ao Principezinho de Saint-Exupéry. E é também exigente como a rosa do livro.
- Quero que me protejas do Sol! Não deites água a mais nem a menos... Olha como a relva já cresceu ao meu redor... - Que saudades de outros tempos! - Sabia o que ela queria dizer mas não lhe dei ouvidos.
- Quero crescer como a rosa branca e ver o Mundo para lá da sebe. - A Rosa Amarela mesmo vizinha da presunçosa disse-lhe:
- O que queres tu ver? – Não te chega a paz deste jardim, a sinfonia dos passarinhos que poisam na relva e os gemidos do chorão em noites de prata!?
- Só gostava de conhecer mais um pouco de tudo. Há algum mal nisso?
- Claro que não! Interrompi antes que a conversa se azedasse. Compus o canteiro, tirei-lhe as ervas que ela não gostava e deitei-lhe água com carinho. Numa das suas pétalas maravilhosas ficou apenas uma gotinha, límpida como uma lágrima de cristal, onde os raios de se Sol se multiplicavam como um pequeno arco-íris.
- Obrigada. E depois numa voz sumida, perguntou:
- Estás triste?
- Não, que ideia; apenas saudosa...
- Compreendo - atalhou depressa. Também eu sinto saudades, tu acreditas que as flores têm sentimentos?
- Claro, porque não?
- Sabes porque fiquei aqui, mesmo defronte do banco onde te sentas todas as tardes?
- Não. Talvez porque era o sítio mais abrigado e tu eras a mais preciosa...
- Também. Mas deixaram-me um recado para to dar todas as vezes que te visse triste e daqui posso olhar sempre o teu rosto e sentir a tua alma.
- E então?
- Ele disse-me – Quando a vires triste e com os olhos orvalhados, alegra-lhe o espírito com a tua cor e a tua beleza e diz-lhe ao compasso do vento – Sê feliz, Sê feliz, Sê feliz...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Fotos do Meu Álbum


Ontem… éramos assim.

Hoje… Apenas passou um dia…
Continuamos Jovens!


Em pé, da esquerda para a direita: Camacho, Casimiro (Cofió), ?, ?, Duarte (fotógrafo), Mário Augusto, ?, Quintino;
Sentados, da esquerda para a direita: Mário Viegas, Tochinha, Toninho Vítor, Francisco Sales.

O Casamento da Minha Amiga


Recebi há dias num bilhetinho muito lacónico, a participação do grande acontecimento – a minha amiga casara-se! É claro que fiquei feliz com a notícia pois se eu conhecia tão bem o José Manuel, um rapaz de belíssimas qualidades, com um grande futuro à sua frente, um verdadeiro “achado” com se costuma dizer! Sim, era evidente que o romance da minha amiga tinha tido um epílogo feliz e ansiosamente esperado. Ainda guardo as cartas (e de que tamanho) de pouco mais de um mês atrás! Que felizes confidências traziam!
Estranhei que ela para me participar o “grande dia” me mandasse um bilhetinho pequenito com umas linhas muito a correr... mas depois sorri compreensiva. Ah! A emoção dos primeiros momentos, a lua de mel, as cerimónias... Sim, era demasiado para ainda se conseguir tempo para escrever a alguém, mesmo a uma velha amiga como eu. Estava a ser egoísta e portanto resolvi escrever imediatamente ao jovem casal, testemunhando-lhes a minha amizade e felicitando-os pelo acontecimento.
Lembrava-lhes o seu namoro tão feliz, as belas qualidade do Zé Manel mesmo a condizer com as da minha amiga e desejava-lhes um montão de felicidades.
Passados dias recebo uma carta bem mais pequenina que o “tal” bilhetinho e muito mais fria que um iceberg. Pedia-me desculpa de não me ter enviado um convite escrito, o que juntava agora para eu ficar com uma recordação do seu casamento.
Abri o convite luxuosamente impresso e... ia tendo um colapso.
Na minha frente dançavam os nomes de senhora fulana de tal com o senhor Rui Jorge! Era evidente que eu tinha armado barraca! Mas também quem ia adivinhar que uns amores assim tão quentes iam arrefecer num instante e dar lugar a outros?
Serviu-me de lição e agora quem quer que se case eu fico à espera do convite, antes que o “Zé Manel” tenha sido trocado por outro “Zé” qualquer!

Graça Pereira, 1968

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Os Meus Poetas (II) - Sebastião Alba


Quem não conhece Diniz Carneiro Gonçalves? Filho do Professor e também escritor Albano Moás Gonçalves? Recordamo-lo jovem ainda, calcorreando as ruas
da cidade de Quelimane, em busca da sua reportagem (era colaborador activo do Jornal Notícias de Lourenço Marques), “alimentando-se” da sua poesia, ora doce, ora irreverente, algo intervencionista mas… sempre extraordinária. Quando os seus poemas começam a surgir, vêm assinados com o pseudónimo “Sebastião Alba”. Não o necessitava fazer! Quem conhecia Diniz Gonçalves apercebia-se logo que vivia num “mundo à parte”. O seu sorriso que vinha da bôca até aos olhos, era quase como um rir da vida, das pessoas e das coisas. Vestiu desde cedo a roupagem dos poetas. Parecia alheio à vida e que esta lhe passava ao lado, mas não! Diniz Gonçalves “dissecava” a vida minuciosamente e transmitia-a em palavras rimadas com mestria.
Hoje, é considerado um dos poetas portugueses mais originais. Igu
almente original foi a forma de vida que adoptou, também essa não nos surpreendeu. Diniz Gonçalves nunca foi homem de duas vidas e no momento de opção, ficou com a sua poesia, vivendo-a talvez de um modo diferente, mas autêntico.
Faleceu a 14 de Outubro de 2000. Deixou um bilhete, dirigido ao irmão: "
Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá".

Do livro “O Ritmo do Presságio”, dois poemas; não porque sejam os melhores, mas porque falam e foram dedicados a outros amigos nossos.

Último Poema

(ao Jorge Viegas
)

Nestes lugares desguarnecidos
e ao alto limpos no ar
como as bôcas dos túmulos
de que nos serve já polir mais símbolos?

De que nos serve já aos telhados
canelar as águas de gritos
e com eles varrer o céu
(ou com os feixes de luar que devolvemos?)

É ou não o último
vôo bíblico da pomba?

Que sem horizonte a esperamos
em nossa arca onde há milénios se acumulam
os ramos podres da esperança.


1941-1968

Há muito já que o último amigo
se foi pela nomeada

abertura da terra

Há muito que a brisa

se deslaça e esquiva

no rebordo do traço

de duração entre datas


Um imperativo silêncio

desloca estes versos

Tão de súbito resumida

como evocar a amizade?

Seu nome de ilimitadas

sílabas desérticas?