quinta-feira, 30 de abril de 2009

A Liga


A Liga, no princípio dos anos sessenta, era considerada quase como um clube privado. Reunia-se aqui a alta sociedade de então com entradas restritas e reservas de mesas para os bailes chiques que aqui tinham lugar. Era um edifício antigo, diversas vezes remodelado e que ficava defronte à Câmara, tendo de permeio o belo jardim Municipal. Tinha uma vizinhança “vip” – as residências do Intendente do Governo e do Delegado Regional de Saúde da Zambézia. Do outro lado o vizinho era mais humilde, mas nem por isso menos simpático: a fazer esquina ficava a sapataria do Zé Maria. Alguém que toda a cidade conhecia.

Por diversas vezes a Cruz Vermelha utilizou este local para as suas famosas verbenas com a finalidade de angariarem fundos para o movimento. Verbenas essas que tinham sucesso garantido. Também a direcção do Clube cedia muitas vezes os seus salões para festas de casamentos. Ignoro se eram cedências gratuitas ou a troco de alguma compensação monetária. Sei que fui a muitas festas de casamento neste Clube e o ambiente era sempre agradável.


Esta foto é do casamento da Manuela Sequeira Ribeiro. É claro que os noivos já tinham desaparecido daqui… Estes eram os folgazões prontos para a reinação. E quem comandava as “tropas”? O senhor Amaral (“Pele e Osso”) que era uma pessoa divertidíssima e bem-disposta.
Na 1ª fila, de pé, da esquerda para a direita: José Carlos Gentil, Lourdes Cavaleiro, Ana Branca Lobo, Madeira, Paiva, Leonor Perdiz, Tony Salazar, Tito, Guerra, Jójó e Pereira.
Na 2ª fila, sentados: Lena Perdiz, Amaral (Pele e Osso), Antunes, por trás, Teresa Cavaleiro, Graça Pereira, Maria José Campos, Zeca Santos.
De joelhos: destas pequenitas lembro-me da Manecas, Manuela Lobo, a irmã da Maria José e a Margarida Serpa Rosa.

Récitas e Teatros do C.N.A.


Mal púnhamos os pés no Colégio, éramos “aproveitados” segundo os nossos dotes artísticos… Durante todo o ano os programas lúdicos e recreativos sucediam-se sem afectar o nosso desenvolvimento intelectual. O Colégio Nuno Álvares sempre teve fama (e proveito) de altos índices de sucesso na cidade, chegando a ser “cartão de visita” para os alunos que iam estudar para Lourenço Marques ou Beira. Portanto, esta parte lúdica, não menos importante, fazia parte da nossa formação geral. Apresentávamo-nos nos palcos do Sporting Clube de Quelimane, do Cinema Águia e ainda no próprio Colégio, num palco mais reduzido no grande ginásio. Estas três fotos, de diferentes teatros ou récitas, são a prova disso. Levam a respectiva legenda.

1-No palco do Sporting: (ao fundo) Manuela Morais, vislumbra-se um pouco a Maria José Carvalho de Campos; (em primeiro plano) o rapaz da gaita (?), Teresa Pereira, Manuela Santos, João José (Jójó) tocando acordeão, Ângela Mateus e a Pepita Carvalho, também tocando acordeão. Lembro-me que foi um sucesso.


2- No palco do Colégio: cena de um serão da “belle époque” onde se cantava, se dizia poesia, tocava-se piano e “coscuvilhava-se” como é usual em todas as épocas: Manuela Morais, Judite, Graça Pereira, Pilar Ibarra Martins, (a entrar) Gabriela Galhardo e a Lígia.


3- Uma outra peça da “realeza”, posando à frente da entrada principal do Colégio. A “Rainha e suas Princesas”. De pé: Tábita Mendes, Pilar (a rainha), Maria Helena. Sentadas: (?), Helena Coelho, Graça Pereira, (?) Oliveira. Não é que nos sentíamos mesmo umas princesas? … Provavelmente já rondaria por ali algum príncipe….

As Maias


Hoje, andei a apanhar as maias (ou giestas) como manda a tradição. É um costume que não tínhamos em Quelimane porque lá estas não existiam. Mas os meus pais, como bons transmontanos que eram (e depois também o meu marido) iam-me contando estas tradições tão bonitas do norte de Portugal. A entrada de Maio põe-nos no apogeu da primavera – tempo das flores festejado em muitas latitudes. No dia 1º de Maio, as rapariguinhas de dez a doze anos – as maias – vestiam-se de branco, enfeitadas com fitas coloridas e coroadas com giestas amarelas. Até havia um trono que era revestido destas flores e, à volta dele, dançava-se e cantava-se… Por exemplo, em Vila Real, segundo o testemunho oral dos meus pais, era um rapaz eleito (o Maio-moço) que as pessoas da terra cobriam de flores da cabeça aos pés e que corria a povoação seguido de povo cantando cantigas apropriadas e pedindo para a festa. Chegava a haver competição entre aldeias a ver quem apresentava a Maia mais bonita e o Maio-moço mais animado. Este uso foi-se perdendo um pouco, embora por aqui as maias continuem a serem colhidas e postas nas janelas e portas das habitações. Também os camionistas e os condutores de outras viaturas as apanham para colocar junto ao vidro da frente… Para dar sorte! Velhos gestos que se repetem. Que vêm do fundo obscuro dos tempos… Saudações poéticas e primitivas do homem à terra que se renova, à vida que recomeça e se desata em perfumes e cores… tradições destas, não se devem perder, digo eu!

Os CTT - A Casa das Notícias

.
Aqui todos se encontravam: os que chegavam, os que partiam e os que ficavam. Os degraus e o átrio gastos por tantos passos, à procura de esperanças e a enviar saudades. Um local querido para mim! Foi a primeira casa do xadrez da minha vida. Casa certa por onde pude avançar confiante levando os meus sonhos por diante. Por detrás deste edifício e logo a seguir às casuarinas ficava o antigo jardim Cinco de Outubro com o seu busto da República deitando-se sobre a Marginal… o rio, esse, corria apressado para o cais.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A Minha Árvore


Como todos, tenho um passado mais recente e um presente onde a minha árvore genealógica frutificou pela seiva do amor em dois maravilhosos frutos: os meus gémeos, o Diogo e o Rodrigo. Ao olhá-los, apetece-me ficar numa atitude de acção de graças, onde eles são a folhagem do amor, num convite à concórdia e à alegria. Parecem dois pardalitos que se aninharam ali nesta árvore tantas vezes ramificada. São a nossa presença quando já cá não estivermos. Adoro quando lhes telefono e o Diogo vem lesto atender e diz pausadamente: “Olá Tia Migá!”. E, logo, logo ao lado já há um reboliço: o Quico também. E o telefone muda de mãozitas enquanto a guerra se instala. Hoje, fazem 3 anitos e vão ouvir deliciados “os Parabéns”. Há dias tiraram fotos tipo passe para os seus cartões de “estudante”. Sim, porque em Setembro, “assentam praça” no Colégio… é a vida que não pára. Ainda bem!