
Nem tudo o que é verdade ou supostamente verdade pode ser dito às escancaras em nome dessa frontalidade que muitos anunciam ter. Quanta coisa é dita propositadamente para magoar, desrespeitar os outros, sem pensar até onde podem ir as “espadas desembainhadas” com toda a sinceridade? Ser delicado, supõe ser caridoso e a delicadeza é a flor mais bela do jardim das virtudes.

Delicadeza implica calar o que não é necessário, possivelmente até nem é verdade e de certeza que não é bom – as três virtudes da historiazinha cheia de moral que vinha no nosso manual de Português do 2º ano do Liceu, quem se lembra? O filho quando chega a casa esbaforido para contar uma novidade sobre alguém, a mãe ponderada e sábia disse-lhe: “Meu filho, antes de dizeres o que quer que seja, pensa primeiro. – É verdade o que vais contar? Será mesmo necessário dizê-lo? E é bom o que te trás tão alvoroçado? – O filho pensativo e mais calmo respondeu-lhe – Bom não é de certeza, também não sei se será necessário contar-te e... pensando bem, até nem sei se é verdade... – Então meu filho a delicadeza ordena-te que te cales.”
Delicadeza... como anda arredia das nossas vidas e do mundo inteiro. Ser delicado, inalteravelmente delicado, mesmo perante as indelicadezas dos outros – eis uma norma singela de efeitos incalculáveis. Ser delicado é não ser arrogante e difícil quando se trata de perdoar:
- Eu cá sou sincero!!! - Exclamam muitos.
- Serás mesmo?








