domingo, 28 de março de 2010

Exposição de Pintura no Zambeziana


Nas visitas que faço aos meus amigos blogueiros, tenho notado que há um número razoável de gente com verdadeira arte no pincel. Resolvi pois abrir uma Galeria de Pintura aqui na Palhota. Já todos sabem que ela é exígua e, por isso, terei de apresentar apenas um artista em cada Exposição.

Hoje, trago-vos o Pintor JOÃO PINTO PEREIRA.

Dados Biográficos:
- Nasceu em Moçambique a 28 de Março de 1944
- Licenciou-se em Medicina pela Universidade do Porto. É especialista em Pediatria.
- Autodidacta, pinta aguarela desde os tempos de estudante, embora só desde 1993 o faça com carácter regular. Foi orientado pelo Mestre Jaime Isidoro.
- Pediatra graduado em chefe de Serviços do Hospital Pedro Hispano de Matosinhos (aposentado).

Exposições:
> V Exposição Arte Médica – Ordem dos Médicos – Porto, 6 de Junho de 2007 a 5 de Julho de20 07.
> 10º Aniversário do Hospital Pedro Hispano – 19 a 23 de Março de 2007.
> IV Exposição Arte Médica – Ordem dos Médicos – Porto, 1 a 30 de Junho de 2006.
> III Exposição Arte Médica – Ordem dos Médicos – Porto, Setembro de 2005.
> II Exposição Arte Médica – Ordem dos Médicos – Porto, Junho de 2004.
> Exposição Colectiva “A Luta da Criatividade”. Leilão de obras para a ajuda da luta contra a SIDA. Ordem dos Médicos – Porto, Dezembro de 2004.
> I Exposição Arte Médica – Ordem dos Médicos – Porto, Junho de 2003.
> Exposição/Leilão de Obras de Arte – “Solidariedade a favor da Vila de Manhiça, Moçambique” – Auditório Municipal de Gaia, 13 a 17 de Março de 2001.
> Exposição Colectiva de Pintura e Escultura – São Mamede de Infesta, Novembro de 1997.
> I Simpósio de Geriatria – Hospital Pedro Hispano – Maio de 1997.
> “Exposição de Pintura da Primavera” - Hospital Pedro Hispano - Março de 1997.
> “Exposição de Pintores Pediatras” – XVIII Jornadas Nacionais de Pediatria – Carvoeiro, Algarve – 1996.
> Exposição intitulada “Porto: a luz e as sombras”. Escola Diogo de Macedo – Olival, Vila Nova de Gaia, 1996.
> Exposição comemorativa da pré-inauguração do Hospital Pedro Hispano, 1994.
> “Workshop” do Interno – Fórum da Maia – 1994.
> “Diálogo entre as Artes” – Estúdio 400 – Porto, 1993.
> Exposição no Colégio do Rosário - Porto, 1993.
> A BIAL, em face do valor destes seus trabalhos, editou serigrafias de aguarelas da sua autoria para serem oferecidas à classe médica.
> Cerca de oitenta aguarelas suas figuram em diversas colecções particulares, no Porto, Lisboa, Madrid, Bordéus, Genebra e Lourenço Marques (Maputo).

Opiniões:
“O Pediatra fez-se Pintor… Podemos compreender que esta opção seja o começo de um caminho que conduzirá a novos desafios e novas descobertas. Luta promissora a travar com aquilo em que acredita e porque se está apaixonado.
Assim, o pintor encontra-se e as suas convicções pessoais traduzem-se em manifestações enriquecedoras.
Em confronto com a cidade e a natureza a obra ganha dimensão adquirindo uma visão muito pessoal de ritmos de cor e atmosferas conseguidas através de desinibidas transparências de aguadas.
Cada pincelada tem uma intenção, cada quadro está pintado numa coerência expressiva de formas e cor.
É então de observar a certeza e descontracção com que a existente técnica da disciplina da aguarela é conseguida na sua plenitude.
A caminhada foi iniciada, o caminho está aberto no sentido de se compreenderem e desfrutarem novos horizontes. Parabéns!”
Mota e Claro (ESPAB) - Porto, Maio 1994

“… Vou mostrar-te umas aguarelas que estou a pintar – disse-me um dia João Pinto Pereira.
Confesso que fiquei surpreendido. Dentro da nossa convivência familiar e amiga, via-o mais vocacionado para a Música – quantas vezes nos deliciava a tocar piano.
Algumas vezes mostrava-me novas aguarelas e eu reparava no entusiasmo, na dedicação e na sua sensibilidade de artista.
São os homens da Medicina que mais se dedicam à Pintura. Lembro, como exemplo, Abel Salazar que conheci pessoalmente e nos deixou obra preciosa.
Não é frequente no âmbito das Artes Plásticas, o aparecimento de casos a surpreender e a suscitar as atenções como este de João Pinto Pereira, que apresenta, pela primeira vez, uma exposição de aguarelas – técnica nada fácil – com domínio da aguada, liberdade da mancha, utilizando muito bem o branco no papel.
Também não se fica pela objectividade, mas sim pela criação de quadros de efeitos subtis, a partir de diversos sentidos (expressivas harmonias) dominados pelo toque de pintor “
Jaime Isidoro (1994)

“A Galeria “Diogo de Macedo” prossegue o seu percurso com a Exposição de JOÃO PINTO PEREIRA, intitulada “Porto: a Luz e as Sombras”, cumprindo (entre vários outros) um dos objectivos iniciais que se prende com a abordagem às múltiplas técnicas do Mundo das Artes Plásticas.
Utilizando a aguarela (Técnica nada fácil como nos diz e muito bem o especialista oficial deste ramo, Jaime Isidoro) o pintor J.P.P. cria um conjunto de imagens onde a construção arquitectural amparada pela cor, pela luz e pelas sombras, assim como a profundidade dos espaços e a leve materialidade textural, convergem numa rara sensibilidade, na qualidade expressiva de que parece ser mais testemunha do que autor. Tudo isto se debruça sobre uma referência objectiva – a cidade do Porto – mas o jogo (ritmado) que o Pintor constrói, eleva-se com evidência ao plano da Arte, quando vemos que nestes quadros há uma visão pessoal e única a remeter-nos para as obscuras transparências com que nos confrontamos todos os dias – tantas vezes com o lado distraído da consciência a negar-nos esta pequena incerteza de Bohumil Hrabal :”...sou culto independentemente da minha vontade”.
Como é de Pintura que se trata, olhemos."
José Alberto Mar – 1996


Porto - Ribeira


Porto - Ribeira, Bairro da Sé


Porto - Ribeira


Porto - Vista a partir da Foz do Douro, Ponte da Arrábida


Porto - Barcos no Douro


Porto - Praça dos Leões


Porto - Douro até à Foz


Porto - Vista Nocturna


Porto - Avenida dos Aliados


Vila Nova de Gaia - Serra do Pilar


Vila Nova de Gaia - Barcos em São Pedro da Afurada


Viana do Castelo - Porto


Douro Vinhateiro


Matosinhos - Porto de Leixões


Matosinhos - Embarcações de Pesca


Amarante - Ponte e Igreja de São Gonçalo


Barcos na Ria de Aveiro


Sintra - Palácio Nacional



Veneza - Ponte Di Rialto


Veneza - Gôndolas


Áustria - Festung Hohensalzburg



Flores


Costa


Pois este Pintor é também, entre outras coisas, Irmão e Tio e… faz hoje anos! Somos admiradores incondicionais da tua Arte. Se soubéssemos, pintaríamos um quadro com emoções e sentimentos… mas essas já tu as conheces por demais.
Hoje, no dia do teu Aniversário, queremos ser construtores do sorriso, livres de qualquer sombra, com palavras mais adivinhadas do que ditas, e acender aquele sol interior que sempre houve entre nós. Costumo dizer que a Amizade é a pátria da verdade, de céu azul, onde se cruzam mãos abertas na generosidade e no amor. Foi sempre assim nas nossas vidas.
Hoje, celebramos mais um encontro, berço de um eterno nascimento onde corre a seiva que nos une. Acrescentamos mais um fio no tapete da vida que vimos tecendo em conjunto com tantas cores…algumas já gastas … mas, pacientemente trabalhado, cuidado e renascido.
Mais um ano, mais um ponto neste tapete imenso – com direito e avesso – Perfeito, dos dois lados.
Um grande beijo de Parabéns!
Graça (Migá) e Nuno, 28 de Março de 2010.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sombras


Sempre me despertara curiosidade e, ao mesmo tempo, admiração. Chegara a Moçambique através de um concurso público do Ministério da Educação com muitas vagas em aberto para as então ex-colónias portuguesas e para o lugar de professora primária. Não tinha ninguém conhecido do outro lado do mundo e muito menos alguém a esperá-la no movimentado aeroporto de Lourenço Marques.
Apresentou-se na Direcção dos Serviços de Educação e foi-lhe dito que não ficaria na capital, tinha uma vaga para preencher na cidade de Quelimane para onde já tinha passagem marcada.
Não tenho presente o dia em que a conheci mas sei que foi numa reunião de formação de jovens católicos. Não era dada a lamúrias, a resignações e muito menos cruzara os braços com suspiros de vencida. Fez o que lhe parecia melhor: foi ter com o pároco da cidade que lhe indicou o Lar Feminino, sob a alçada de um pequeno grupo de professoras primárias, muito bem conceituado na cidade e onde ficou hospedada. O mesmo sacerdote apresentou-a ao nosso grupo Juvenil pedindo que a inseríssemos no ambiente citadino.
Viver bem ou mal, melhor ou pior, ser vencedor ou derrotado, depende muitas vezes da perspectiva com que encaramos a vida e Maria Inês não tinha vindo de tão longe para ensarilhar a vida ou embrulhá-la em demasiados problemas.
Pareceu-me pois que arrumara o passado, fosse ele qual fosse e que se preparava para dar um novo rumo à sua trajectória de vida. Não era uma jovem muito sorridente e nem sequer simpática. Aparentava ter menos idade do que a real devido à sua figura frágil, muito simples, sem pinturas. Os pequenos caracóis da sua cabeça, davam-lhe um ar angelical contrariado pelo seu olhar cheio de determinação. Contudo, Maria Inês fora bem acolhida e todos se mostraram solidários com a sua solidão. Ninguém fizera perguntas mas também ela não se mostrara aberta para responder ao que quer que fosse. Esperávamos com paciência que ela, um dia, nos contasse a história da sua vida. Afinal a paciência é a arte de esperar embora nós com a nossa ansiedade a confundíssemos com lentidão. Mas a nossa (im)paciência chocava com a persistência de Maria Inês em conceder à sua vida um tom misterioso quase inacessível.
E o tempo passou depressa. Maria Inês não faltava a nenhuma das nossas reuniões e tinha escolhido para amigos mais chegados, dois ou três elementos do Grupo com quem habitualmente andava pela cidade. Participava pouco nas discussões dos temas propostos para cada sábado. Parecia que tinha medo de mostrar fraquezas e dizer aos outros que começava a duvidar do sentido da sua caminhada.
Um dia, inesperadamente, comunicou-nos que aceitara uma vaga para uma vila no interior da Zambézia. Pareceu-me mais magra e até que perdera aquele entusiasmo de quando chegara há poucos meses atrás. Mais uma vez não explicou as razões do seu pedido de transferência e, também, mais uma vez, ninguém ousara perguntar nada.
Maria Inês fez as suas despedidas com promessas de algumas visitas, com um ar distante e impenetrável. Há pessoas com tal força que parecem de cortiça: apesar de todas as tempestades, nunca vão ao fundo.
A vila onde fora colocada era paradisíaca com as suas grandes plantações de chá. Maria Inês sentia-se bem por lá e até arranjara um namorado. Estas notícias chegavam-nos através dos tais amigos mais chegados para quem ela telefonava amiudadas vezes.
Um dia, apareceu na cidade acompanhada do seu namorado que, nas últimas semanas já se tornara seu noivo. Parecia feliz, embora com o olhar perdido em qualquer bruma que ficara para trás. Apresentou-nos. O apelido dele era por demais conhecido, tratava-se do filho do dono das maiores plantações de chá da vila onde agora trabalhava Maria Inês.
Achamos estranho um casamento tão apressado mas ela explicou que devido à sua situação de mulher sozinha, numa terra pequena e como se amavam tanto não havia porque atrasar o acto que acabaria por acontecer mais cedo ou mais tarde. A antecipação por amor, vale tudo, pensávamos nós.
A minha admiração por Maria Inês continuava. Como é que ela conseguia manter à tona de tudo, não desistindo como se o mundo começasse de novo e ela estivesse mais forte a cada desafio.
Poucos dias depois foi-nos anunciado o seu casamento que se efectuaria em Quelimane ao contrário do que todos supúnhamos. Os amigos (únicos convidados do grupo) explicaram:
- Vêem convidados de Lourenço Marques e da Beira, altas figuras com quem o pai do noivo se relaciona, inclusivamente governantes. São para cima de seiscentas pessoas que ele teria dificuldade em alojar na pequena vila.
Mais que justificada a razão até porque o dinheiro não faltava.
Fomos espreitar a Maria Inês à Igreja. A sua palidez confundia-se com o seu traje de noiva.
Levou-a ao altar o Inspector dos Serviços de Educação o que tinha certa lógica por ela não ter ninguém de família. O noivo, esse sim, era a imagem da felicidade.
Mas não me interessa alargar a história por este caminho.
A lua-de-mel seria passada na Beira onde a família do noivo tinha casa própria. Mas, como o copo de água deitou para horas tardias, os recém-casados passariam a sua primeira noite na cidade de Quelimane. Recolheram-se tarde ao Hotel para estarem mais tempo com convidados tão ilustres.
Mal chegaram aos seus aposentos Maria Inês sentiu-se mal, com muitas dores de barriga. O marido pensou que alguma coisa no banquete caíra mal à sua esposa e decidiu levá-la ao Hospital. Maria Inês resistia: - Não, não é preciso. Isto passa já.
A noite (quase madrugada…) estava quente por demais. O calor, a emoção de uma jovem como Maria Inês, a ausência de familiares, foram somatórios que provocaram o mal-estar da sua esposa. Estava decidido e firme em acreditar nestas razões.
Quando chegaram ao Hospital estava de serviço um médico que também estivera no banquete.
- Por aqui? - perguntou admirado.
- A minha mulher (com que orgulho dissera esta palavra…) sentiu-se mal. Deve ter sido qualquer coisa que comeu.
O médico simpaticamente convidou Maria Inês a segui-lo pedindo ao noivo que o aguardasse na sala de esperas.
Não demorou muito a vir ter com ele. Trazia um ar feliz preparado a dar-lhe a notícia:
- Então parabéns ao Papá! Isto de ser Pai no dia do casamento não é para todos…
- Pai?! Eu nunca fiz nada com ela….
A verdade algumas vezes abre brechas, mas a mentira faz sempre muitas ruínas.
…

A cidade ainda despertava deslumbrada com o acontecimento social do dia anterior e já um fogo cruzado disparava em todos os sentidos com a notícia estrondosa:
- A noiva ia grávida, deu à luz na noite de núpcias e o noivo não é o pai!
Era mais ou menos neste teor, na certeza porém de que quem conta um conto acrescenta um ponto, que o escândalo se propagava.
Curiosamente não me surpreendia. Numa fracção de segundos a ponta do iceberg começava a emergir do mar profundo onde estivera submerso. Quanto ao seu real tamanho ainda não o sabíamos.
Começava a entender a atitude de Maria Inês. Jogara uma cartada alta e perdera.
Quem se sentia mais perdido era o noivo que amava deveras Maria Inês e estava disposto a aceitar todas as explicações e razões da sua noiva, aperfilhando o filho alheio e continuando com o casamento em frente.
Mas o pai do noivo não se silenciou, sentia-se lesado em tudo, principalmente na sua honorabilidade. Mandou chamar o filho e foi peremptório:
- Partes hoje mesmo para a Beira, não vês mais essa mulher e começamos já a tratar da anulação deste casamento fantoche.
- Mas pai, eu amo-a, está sozinha com um filho nos braços…
- O pai que cuide dele… eu cuido de ti. Caso contrário, deserdo-te e fica o caso encerrado.
Foi num fim de tarde. Sem horas. Foi num momento de grande intimidade que Maria Inês desabafou com o seu noivo.
Nunca soubemos o que realmente acontecera. Líamos nas entrelinhas à procura de respostas para aquele absurdo enigma.
Pedíamos explicações aos padrinhos que andavam murchos também eles sentindo que tinham sido enganados.
- Ela não sabia que estava grávida… foi violada por alguém com quem ela trabalhava na Metrópole… tinha sido fruto de um antigo namoro que não quis assumir a sua paternidade… - eram algumas das explicações que nos eram dadas.
Olhávamos para aquele trio completamente desarticulado e perguntávamos:
- Mas vocês são bonzinhos demais ou são burros de todo?
Eu pensava que, naquele caso, em nada diferia o ser bom do ser burro. Era apenas a diferença de um olhar. Mas enganei-me! A bondade foi mais forte que a decepção.
Maria Inês foi amparada, acarinhada quando saiu do Hospital, e não só pelos paladinos. Todo o grupo ajudou no enxoval do Bebé, afinal o único que não tinha culpa de nada.
Soubemos depois que o noivo, secretamente, voltara a Quelimane para propor a Maria Inês uma fuga para qualquer ponto desconhecido de Moçambique. Era preciso recomeçar porque o seu amor por ela continuava a ser o mesmo.
Maria Inês assumiu as suas responsabilidades e negou-se a segui-lo. Dizia-se que, por detrás desta atitude, andaria a mão do ex-sogro e algumas notas à mistura.
Verdades absolutas sobre este assunto nunca ninguém as teve. Ou se, porventura, alguém teve direito a elas, remeteu-se a um profundo silêncio.


Voltei a ver Maria Inês uma única vez, depois do baptizado do filho em que os padrinhos de casamento foram também padrinhos da criança. Veio a uma reunião para se despedir e agradecer o que fizéramos pelo filho. Ia para Lourenço Marques e, possivelmente daí regressaria à Metrópole. Não explicou mais nada e, tal como da primeira vez, ninguém ousou perguntar nada.
Maria Inês ergueu a sua cabecita cheia de caracóis e, pela primeira vez, notava que o seu olhar já não tinha brumas. Admirei-a uma vez mais.
Ao darmos as mãos para rezarmos o Pai-Nosso tive noção de como o perdoar era tão difícil. Desconfiamos sempre de quem errou. Mas aceitamos correr o risco.
Tinha a certeza que Maria Inês já se tinha perdoado a si própria e a quem lhe armara a maior cilada da sua vida.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O Coração da Primavera

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A PRIMAVERA entrou no meu corpo
Com suas folhas e flores.
Durante toda a manhã
As abelhas estão zumbindo em mim,
E os ventos ociosos
Não se cansam de jogar
Com as minhas sombras.


Uma doce fonte
Corre do coração do meu coração;
A alegria lava os meus olhos
Com o orvalho da manhã,
E a vida vibra em todo o meu ser,
Como a corda de um alaúde.

Amor dos meus dias sem fim,
Solitário vagabundo das coisas da vida,
Por onde se espraia o mar alto!
Não dançam à tua volta
As borboletas de mil cores
Dos meus sonhos?
Não é este o eco das minhas escuras cavernas
E o eco das tuas canções?



Quem melhor do que tu
Poderá ouvir este cacho das horas
Que hoje palpita nas minhas veias;
Estes pés alegres
Que bailam no meu coração,
Este clamor de vida
Que bate as asas inquietas
No meu corpo?


- R. Tagore

.
Ser escolhida num número tão restrito, entre tantos blogues, sensibilizou-me muito! Agradeço de todo o coração!

Devo responder a 3 questões e passar a 3 blogues que considere merecedores.

Porque acha que mereceu este selo?
R: Pura generosidade do SEARAS DE VERSOS.

Na sua opinião, qual o post do seu blogue que acha mais merecedor de um prémio?
R: Os merecedores do prémio são todos os amigos que me visitam e comentam.

Do blogue que o indicou, o que mais lhe agrada? Ele merecia o blogue de ouro?
R:Na minha opinião é o melhor blogue sobre Poesia que conheço e leio. Merece o blog de ouro e muitos mais seguidores que venham conhecer a sua autora e obra.

Escolher apenas três blogues entre tantos, tão bons, é dificílimo...
Aqui vão:

Histórias Com Mar Ao Fundo - Intemporal - O Momento Certo

sábado, 13 de março de 2010

Dar e Receber


Era uma vez uma mão…

Uma mão como a minha, a tua, talvez.
Uma mão como tantas outras
Que só sabia dar.
Tinha um formigueiro à flor da pele
Que lhe dizia: dá, dá.
Era uma mão sempre estendida
Apenas para dar…coisas e mais coisas.
Dava e logo se escondia:
Não gostava nada de receber.
Era uma mão quase mecânica.
Era dura, parecia insensível, sem nervos, sem sangue…
Não se deixava tocar…
Um dia, alguém tocou essa mão
Tão generosa para dar.
Foi um calor tão forte, uma sensação tão agradável.
Parecia que todo o sangue do coração tivesse acorrido ali,
Para dar vida àquela mão.
O coração já estava ali.
A ânsia era enorme.
Agora sim.
Já podia participar
Em cada gesto, em cada toque daquela mão
Que era sua.
Agora já não era um dar sem mais.
Era um dar com o coração…
Dar e dar-se confundiam-se;
E aquela mão já se estendia para receber…
Já todo o corpo acompanhava aquela mão
A dar e receber.
O coração depressa envolveu todo o corpo
Naqueles movimentos de solidariedade, de encontro.
Já não eram mãos e coisas que se trocavam
Eram pessoas que se davam e recebiam…
Com o coração!