“Do Chuabo Com Amor…
A FAE teve o condão de alterar radicalmente os hábitos das gentes locais… Desde que se iniciaram os trabalhos, que se foram acelerando à medida que a data da inauguração se aproximava, até depois do momento culminante da cerimónia oficial da abertura, o movimento de pessoas e automóveis atingiu limites nunca dantes vistos. Quelimane viveu e continua a viver momentos próprios das grandes urbes. Os acontecimentos sucedem-se vertiginosamente deixando atordoados os de passo mole: a inauguração, o critério automóvel, o circo Mariano que chegou na manhã da inauguração e à noite dava o seu primeiro espectáculo, o “Teatro do nosso Tempo” de Jacinto Ramos. O encontro de futebol entre a Selecção da Zambézia e a Selecção Provincial, o banquete gigante no dia da inauguração com a presença do Governador-geral, a exposição de pintura, a segunda tiragem do “NB”, posta a circular poucas horas depois da inauguração, com o suplemento diário da “Feira” que foi um sucesso, enfim, o pacato cidadão desabituado de tais velocidades é arrancado do marasmo em que vivia.
Tudo isto representa muito trabalho, um trabalho tão gigantesco como gigantesca é esta Zambézia que quis mostrar aquilo que as suas gentes serão capazes de fazer se lhes oferecerem essa oportunidade. Com raiva o Zambeziano despiu o casaco, lançou-o furioso ao chão e gritou: “Olhai senhores, do que seremos capazes se nos deixarem se não nos tolherem os movimentos com essa inútil burocracia, com esses milhentos tipos embirrentos das secretarias a impedirem-nos de andar para a frente. Senhores, soltem as amarras que nos tolhem os movimentos e vereis esta Zambézia impressionante de riqueza a dar trabalho e pão a milhares de necessitados. Mas, por favor, livrai-nos dos calaceiros, dos inúteis. Dos que nada fazem, excepto, nada deixar fazer aos outros.” (Revista da FAE, 24 de Agosto de 1969)
NOTA: Este grito é, infelizmente, ainda actual na portentosa Zambézia. A riqueza do seu solo, o manancial que deve ser explorado por todos os zambezianos, ficou lá! Os “retornados” (falo por mim e talvez por milhares) apenas trouxeram a saudade. No passado, mostrou-se a vontade de um povo de um modo grandioso.
Amigos da actual Zambézia, façam hoje quantas “FAE’s” sejam precisas mas façam-nas para que ao menos não tenham sido em vão tantos sonhos desfeitos, tantas despedidas dolorosas e tantas lágrimas dos teus filhos, zambezianos, de todas as cores.






Para o prémio de maior originalidade de concepção, classificaram-se os seguintes pavilhões: 1ºlugar- Sena Sugar; 2º- Madal e 3º- BNU. Melhor decoração: 1º lugar- BNU; 2º- Madal; 3º- Ferreira e Faria. Melhor pavilhão de Comércio: 1º lugar- Madal; 2º- Companhia da Zambézia e 3º- Companhia do Boror. Melhor pavilhão comercial: 1º lugar - Ferreira e Faria; 2º- Marropino e 3º- Sacras. O júri foi constituído pelo Engº João Chaby, Sérgio Guerra e António Sheppard da Cruz.



Ficaram por mostrar os seguintes pavilhões: Companhia Têxtil do Pungué; Agências Mundiais; Zuid; Monteiro e Giro; União Comercial de Moçambique: Pendray Sousa; Gráfica Transmontana; Dorna Baião; Ana do Chinde; Steia; Cafum; 2M; e muitos outros de difícil enumeração. O número de visitantes ultrapassou os vinte mil nesta primeira edição da FAE.
Acabo de dar a volta a toda a Fae e fiquei feliz. Obrigado. O seu apelo é de certeza de todos os zambezianos que um dia deixaram a sua terra. Monhé
ResponderEliminarQue saudades da minha terra :(
ResponderEliminarUm beijinho para si.
Já vem fazendo parte da minha rotina,visitar o teu "blogue".
ResponderEliminarAguardo sempre com alguma ansiedade as belas surpresas que me propocionas não só relativamente aos textos publicados como também às boas fotografias.
Temos de combinar a tua vinda à minha quinta aqui no Douro. Tenho quase a certeza que vais gostar.
Um beijo da amiga .
Regina
Olá Ellen
ResponderEliminarBenvinda a este blog zambeziano/moçambicano- está na sua terra e é tão bom escrever de coração para coração.Um grande beijo Graça
Olá Graça:
ResponderEliminarFinalmente consegui arranjar uns minutinhos para agradecer tudo o que tens escrito no teu blogue, não falando nas fotos que acho excelentes. Então estas da FAEZ...é só saudades de tempos idos!...
Continua!...
Bjs.
Luís Bulha